quarta-feira, 31 de Outubro de 2012

Linguine al nero di sepia com camarões salteados e as cores do Halloween

O feriado de Todos os Santos sempre foi o meu favorito. Não propriamente pela exposição a costumes estrangeiros. No meu tempo de meninice não havia "doces ou travessuras", não havia máscaras nem modernices importadas. Havia um feriado que eu festejava principalmente com a minha avó. Era a altura em que o Inverno estava quase a chegar e saímos as duas, acompanhadas pela prima Tina, na habitual ronda pelo cemitério, passando religiosamente pelas campas de todos aqueles familiares que nunca conheci. Nesse dia, o cemitério enchia-se, uma romaria de gente que só visto! E eu divertia-me, enquanto a minha avó e a sua prima visitavam as campas. Assim, uma tarde inteira, de campa em campa queimando folhas secas nas velas em taças de barro. Chegadas a casa, com frio, a minha avó assoava-me o nariz e o seu lenço ficava sempre manchado de negro. Lá vinha o raspanete habitual de "para o ano, se fores comigo não queimas mais folhas". Quando voltava a casa dos meus pais, já noitinha cerrada, ia a correr à varanda, olhar para o cemitério todo iluminado pelas velas colocadas durante o dia. Um cenário lindo, uma aura alaranjada a contrastar com o negro do céu, como se aquele fosse o momento do por-do-sol da vida.
Hoje em dia, este feriado continua a ser um dos meus favoritos. Não só pelas lembranças. Mas também porque este dia, ou esta noite, tem um encanto especial. É a noite em que as almas dos que já partiram regressam às suas casas e famílias, em busca do conforto da lareira e da comida. Marca o início do novo ano, da altura em que as plantas regressam à terra para a latência do Inverno. Esta passagem é assinalada com a mudança de cor das folhas, do verde vivo para tons terrosos como o amarelo, laranja, vermelho ou castanho. Esta é, sem dúvida, uma altura de comunhão, introspecção, aprendizagem e deleite...
Linguine al nero di sepia com camarões salteados

500g de linguine al nero di sepia
24 camarões jumbo descascados
1 cubo de caldo de marisco
3 dentes de alho
1 cebola grande
Sementes de sésamo (2brancas : 1pretas)
Sal
Azeite

Cozer a massa em água abundante e sal até estar "al dente". Colocar num passador a escorrer e passar por água fria para parar a sua cozedura. No tacho onde a massa foi cozida, dourar a cebola e alhos picadinhos com bastante azeite, o caldo de marisco e as sementes de sésamo. Adicionar os camarões, salteando apenas até que apresentem uma cor laranja e branca. Juntar a massa e envolver muito bem com o salteado de camarões.
Notas: uma refeição simples mas repleta de sabor. O linguine al nero di sepia é da Milaneza e das muitas marcas que já experimentei esta é concerteza uma das melhores dado que a massa, depois de cozida, não perde a tinta na água de cozedura, mantendo uma cor negra bastante próxima da cor apresentada quando seca. 
Para entrar no modo Halloween, considerar o linguine como sendo cabelos negros povoados de vermes e piolhos (camarões e as sementes). Os miúdos vão adorar! :p

segunda-feira, 29 de Outubro de 2012

Bolo de courgette, gengibre e limão

Os nossos livros de culinária são bem utilizados. Alguns estão gastos pelo tempo ou pelo uso, lombadas coçadas, páginas reviradas. Outros ainda apresentam marcas de terem sido utilizados na cozinha, enquanto seguíamos religiosamente a receita. Mas também os há novos. Ainda pouco folheados, pouco explorados. Para mim os livros são como os álbuns das minhas bandas preferidas: quanto mais os ouço mais gosto deles. E quanto mais leio os nossos livros de culinária, mais interessada vou ficando pelas receitas, a ponto de ter alguns nos quais todas as receitas estão marcadas (e muitas já foram testadas). Por outras vezes, os livros servem de inspiração. Juntar este e aquele ingrediente, como diz aqui, mas cozinhá-los como diz acolá. No final, o importante é ficarmos satisfeitos com o resultado, com vontade de repetir isto ou aquilo numa próxima oportunidade. Como este bolo, que há-de sair do nosso forno muitas vezes :)
Bolo de courgette, gengibre e limão
(em "Velocidade Colher" de Susana Gomes)

100g de farinha integral
100g de farinha T55
1 pitada de sal
1 c. chá de fermento
1 c. chá de bicarbonato de sódio
180g de açúcar amarelo
1 limão (raspa)
10g de pasta de gengibre
250g de courgette
1 iogurte natural
50g de coco ralado
100g de azeite
3 ovos

Ralar a courgette e reservar. Juntar o gengibre e a raspa do limão aos ovos e bater juntamente com o açúcar, o iogurte e o coco. Adicionar o azeite em fio, bantendo sempre. Peneirar as farinhas com o fermento e o bicarbonato, misturar bem. Por fim, envolver a courgette batendo apenas o necessário. Levar ao forno, pré-aquecido a 180º C, numa forma de buraco durante cerca de 40 mins (fazer o teste do palito).
Nota: este bolo é delicioso, bastante húmido, aromático e doce q.b. A receita original parecia perfeita pelo que nada foi alterado. Apesar de o Vel não gostar de coco, não disse que não às fatias deste bolo que se tornou um sucesso garantido!

sábado, 27 de Outubro de 2012

Salada de cuscuz e delícias do mar

O tempo não sabe o que quer. Não quer ser carne nem ser peixe. Não quer ser Verão nem Inverno. E enquanto as estações mudam ao longo de um dia só, somos como marionetas, ao sabor das crises existenciais do senhor que comanda o clima. Hoje, depois de um calor anormalmente e atordoantemente abrasador, a noite caiu fresca. O jantar quer-se simples, para que as horas estiquem elasticamente tornando o serão deliciosamente longo. Uma salada que pode ser servida quente. Ou fria. Para agradar a gregos e troianos. Tal e qual este tempo indeciso parece querer fazer!
Salada de cuscuz e delícias do mar
(inspirada em "Salada de cuscuz com delícias do mar" da revista Saberes e Sabores n.º 211)

250g de cuzcus
Azeite
Sal
1 c. chá de tempero Old Bay
200ml de água a ferver
1 courgette pequena
1/2 pimento vermelho
250g de delícias do mar
1 lata pequena de milho doce

Numa taça grande misturar o cuscuz com um pouco de azeite, sal e o tempero Old Bay. Hidratar com a água a ferver e reservar, enquanto a água é absorvida. Entretanto, ralar a courgette e o pimento e cortar cada delícia do mar em 4. Com um garfo, soltar o cuscuz e Adicionar os legumes, as delícias e o milho. Envolver tudo muito bem, provar e, se necessário, rectificar os temperos. Se necessário, ajustar também a quantidade de azeite. Servir quente ou fria.

quarta-feira, 24 de Outubro de 2012

Crackly banana bread

A caminho de casa vou aprecianado as tonalidades do Outono. A riqueza das cores num festim para os olhos. O céu, azul, aqui e ali pintalgado por frondosas copas de folhas multicolores. Verde, amarelo, laranja, vermelho, castanho. A brisa ainda sopra suave e quente, fazendo as folhas rodopiarem gentilmente pelo ar. O chão há muito que deixou de ser cimento. É uma mescla de folhas, que enfeitam os meus passos, restolhando para abafar os sons decadentes da cidade. Paro na montra de uma das minhas mercearias favoritas. Os frutos secos chamam por mim, como que a convidar docemente ao pecado da gula. Não resisto. "A carne é fraca". Peço nozes da macadamia e pecan. Sinto-lhes o sabor caramelizado da mistura com que as hei-de preparar. Mesmo antes de sair lembro-me que no ralador já não há noz-moscada para o pão de banana. 
O ar cheira a Outono. A nossa cozinha também...
Crackly banana bread
(do sempre inspirador Smitten Kitchen)

3 bananas bem maduras
1 ovo grande
80ml de óleo de coco aquecido (apenas para ficar líquido)
65g de açúcar amarelo
60ml de geleia de agave
1 c. chá de essência de baunilha
1 c. chá de fermento
1/4 c. chá de sal
1 c. chá de canela
1/4 c. chá de noz-moscada
1 pitada de cravinho
180g de farinha integral
50g de millet

Aquecer o forno a 180º C e untar uma forma de bolo inglês. Numa taça grande esmagar as bananas com o esmagador de puré (ou com um garfo). Adicionar o ovo, o óleo, o açúcar, o mel e a baunilha misturando com um fouet. Polvilhar esta massa com o fermento, o sal, a canela, a noz-moscada e o cravinho e mexer até estar homogénea. De seguida, incorporar a farinha e depois o millet. Deitar a massa na forma e levar ao forno entre 40 a 50 mins (fazer o teste o palito antes de retirar). Deixar arrefecer, sem desenformar, em cima de uma rede.
Nota: este pão é bem aromático, húmido, fofo e, ao mesmo tempo, crocante devido à utilização do millet. Conserva-se bem durante uma semana, se bem que é difícil resistir a comer uma fatia, e mais uma, e mais outra... :p

segunda-feira, 22 de Outubro de 2012

Um jantar frugal para uma rainha enclausurada

Corria o ano de 1587 e ao sétimo dia do mês de Fevereiro fui chamada para preparar uma ultima ceia. A prisioneira era alguém bastante especial: Mary, Queen of Scots. Tremi, sem saber se a causa era o frio de um Inverno rigoroso ou o peso da responsabilidade, pois tamanha era a honra de cozinhar a ultima refeição da monarca mais fascinante e controversa deste século XVI. Aquela que outrora reclamou para si as coroas de 4 países (Escócia, França, Inglaterra e Irlanda) foi informada da sua execução, na manhã seguinte, ao mesmo tempo que eu era informada da minha nobre missão. Para dar início aos preparativos foi-me concedida uma visita de breves minutos nos aposentos da prisioneira. Numa cela simples, uma mulher calma e bonita, de porte altivo e orgulhoso, dirigiu-se-me num sotaque escocês cerrado:
"Como te chamas?" - "Joan, sua senhoria"
"Muito bem, Joan. Sei que vais cozinhar a minha refeição de hoje." - "Sim, minha senhora. Gostaria de saber o que desejais, foi-me ordenado que atendesse qualquer desejo vosso"
"Ah Joan... A simplicidade foi algo que aprendi a apreciar com o tempo. E com ela, se puderes, traz de volta a minha adorada Escócia".
Assim tentei. Um jantar simples, frugal, para que Mary terminasse afazeres de última hora sem sonolência induzida. O pão foi elaborado com uma cerveja forte e encorpada. A sopa, verde, como que a lembrar as paisagens escocesas...
Sopa de espinafres, ervilhas e lentilhas verdes
(inspirado em The Gourmet Kitchen)

Azeite
1 alho francês
1 cubo de caldo de legumes
1 courgette em pedaços
150ml de vinho branco
800ml de água a ferver
200g de lentilhas lavadas e escorridas
600g de ervilhas enlatadas
200g de espinafres
2 iogurtes naturais
Sal e pimenta

Refogar o alho francês no azeite juntamente com o caldo de legumes. Adicionar a courgette e deixar amolecer. Regar com o vinho e a água e juntar as lentilhas. Deixar ferver, reduzir um pouco o lume e cozinhar durante 20 mins. Juntar as ervilhas e cobrir com os espinafres. Deixar cozinhar por 10 mins. Passar a sopa, juntar os iogurtes e misturar bem. Rectificar os temperos (sal e pimenta) e, se necessário, adicionar mais um pouco de água a ferver para obter a consistência desejada.
Pão integral de soja e espelta com cerveja preta e sementes
(inspirado em Velocidade Colher, de Susana Gomes)

300g de cerveja preta
50g de azeite
1 c. chá de sal
2 c. sopa de mel
200g de farinha T65
200g de farinha integral de espelta
100g de farinha integral de soja
30g de sementes de sésamo
30g de sementes de linhaça
1+1/4 c. chá de fermento bio seco

Colocar os ingredientes na cuba da MFP pela ordem indicada pelo fabricante. Escolher o programa para pão integral com peso de 750g e tostagem ligeira. No final do programa, desenformar o pão e deixar arrefecer sobre uma rede.
Servir o pão e a sopa acompanhados por um fumegante chá rooibos aromatizado com laranja. Como sobremesa, um maduríssimo dióspiro e uma maçã de Armamar.
Com este jantar participamos na 8ª edição do Convidei para Jantar, criado pela Ana, e que este mês foi aristocraticamente acolhido pela maravilhosa Alice na sua cozinha.

sexta-feira, 19 de Outubro de 2012

Mezzalunas de massa fresca recheadas com frango

Quanto tempo o Tempo tem? Tem todo o tempo que quisermos que tenha. E assim foi. Num dia em que o Tempo teve tempo que chegou e sobrou, voltamos a viajar pelo mundo da massa fresca. Inteiramente feita por nós e sem recurso ao processador. Fazer massa dá músculo. E fome, muita, muita fome. E apesar de o Tempo ter todo o tempo do mundo, as mezzalunas foram desaparecendo à velocidade da luz. Como se, de repente, tivessem ficado sem tempo...
Mezzalunas de massa fresca recheadas com frango
(adaptado de "Tortellini de pato" de 200 Receitas - Massa, por Maria Ricci)

25g de manteiga sem sal
1 c. sopa de azeite
1 cebola pequena finamente picada
2 caules de aipo finamente picados
1 cenoura finamente picada
200ml de vinho tinto
1 limão (raspa e sumo)
2 c. sopa de tomilho picado
250ml de tomate em lata
2 coxas de frango
2 c. sopa de parmesão ralado
2 c. sopa de miolo de pão branco fresco
1 ovo
Sal e pimenta

Derreter a manteiga com o azeite em lume brando, juntar a cebola, o aipo, a cenoura e cozinhar durante 10mins. Adicionar o vinho e ferver 1min. Deitar a raspa e sumo do limão, o tomilho e o tomate. Deixar ferver novamente. Temperar o frango com sal e adicionar ao molho. Deixar ferver em lume brando, sem tapar, durante 1h30mins, até a carne desprender do osso. Findo esse tempo, separar a carne e colocar num robot até estar bem picada. Misturar com o parmesão, o miolo de pão e o ovo. Reservar o molho.
Estender as placas de massa com a ajuda da máquina. Cortá-las ao meio e colocar cada meia folha no suporte metálico com formatos de meias-luas. Enfarinhar um pouco a massa e aplicar o decalque plástico, para que se forme a cavidade na massa. Retirar o decalque com cuidado e colocar um pouco de recheio nas cavidades. Cobrir com a outra metade da placa de massa e passar o rolo da massa para fazer os cortes. Reservar as meias-luas e proceder de igual modo para a restante massa e recheio.
Cozer as meias-luas em água fervente com sal durante cerca de 3-6 mins, até estarem al dente. Servir com o molho, entretanto reaquecido e com os temperos ajustados, e polvilhar com parmesão em pó.
Aproveito ainda para responder aos desafios deixados por dois blogues amorosos:


1 - Uma viagem: Grécia
2 - Uma banda: impossível escolher apenas uma mas já que não consegui bilhetes para os ver aqui fica manifestada a minha tristeza: Dead Can Dance
3 - Um filme ou uma série: Drácula, de Bram Stoker
4 - Um prato: o último risotto de farinheira feito pelo Vel
5 - Uma cor: preto
6 - Uma personalidade: Leonardo da Vinci
7 - Um país: Itália
8 - Um ingrediente: ovo (haverá algo mais completo e fascinante?)
9 - Um ódio: é sentimento que não vale a pena, penso eu de que...
10 - Um desejo: Que todos os meus sonhos se tornem realidade
11 - Um restaurante: Rogério do Redondo


1 - O melhor momento: todos os que são felizes
2 - A maior surpresa: saber que "determinada" pessoa decidiu ficar em Portugal
3 - Um sonho: muitos: escrever um livro, tirar um curso de fotografia, ganhar o euromilhões antes de ser taxado a 20%
4 - Um livro: Memorial do Convento
5 - Uma flor: Orquídea
6 - Um nome: Simão
7 - Uma música: Pachelbel's Canon em D menor
8 - Um doce: Reese's
9 - Um lamento: Não ter passado mais tempo com as minhas avós
10 - Um desejo: que todos meus sonhos se tornem realidade
11 - Um medo: ficar senil

E aqui fica as 11 coisas sobre mim:

1 - sou um bocadinho stressada e militarista
2 - tenho a mania que sou multitask
3 - tenho opinião sobre quase tudo
4 - falo pelos cotovelos
5 - gosto de cozinhar (algo óbvio, não?)
6 - tenho que me controlar para evitar comprar livros
7 - uso óculos para ler
8 - quando estou irritada todos à minha volta levam por tabela
9 - quando era miúda era um pisco para comer
10 - os vestidos são a peça de roupa perfeita
11 - este ano fiz pipocas pela primeira vez na minha vida

quarta-feira, 17 de Outubro de 2012

Pescada espirituosa da Kika

Uma grande parte da nossa vida é, provavelmente, passada num tempo que não o presente. Tem alturas em que pensamos no futuro, em como vamos sair desta enrascada em que estamos enfiados, se amanhã precisamos de passar na mercearia, se faz sol ou vai chover no fim de semana. Tem outras alturas em que pensamos no passado, em quando éramos miúdos e corríamos calçada acima ou abaixo livres de preocupações, quando mudamos de casa ou das alturas em que o Natal era passado em volta de uma mesa sem cadeiras vazias. O passado e o futuro. E por vezes a inspiração para o jantar surge dessa combinação de tempos virtuais: pensamos em alguma coisa que fazia as nossas delícias em determinada altura (passado) e reformulamos mentalmente todos os passos, tentando imaginar (futuro) que sai exactamente de como nos lembrávamos que era ou sabia. Por fim está pronto a servir e esperamos que o momento presente nos aconchegue as memórias e deixe vontade de que se volte a repetir...
Pescada espirituosa da Kika

4 alhos-francês
3 cenouras médias
1 courgette grande
4 medalhões de pescada
1/2 limão (sumo)
3 ovos
Azeite
Sal
2 c.chá de Tempero Old Bay

Fatiar os alhos franceses, ralar a courgette e a cenoura. Numa panela de dimensão média alourar o alho-francês e a cenoura em azeite e Old Bay. Quando estiverem macios, adicionar a courgette e misturar bem. Dispor a pescada por entre os legumes, temperar com sal, tapar e deixar cozinhar. Assim que a pescada estiver pronta regar com o sumo de meio limão e, com a colher, partir a pescada em bocadinhos, mexendo bem para misturar com os legumes. Adicionar os ovos batidos misturando rapidamente para incorporar. Rectificar os temperos, se necessário, e servir com a nossa nova salada favorita acompanhada por tomatinhos-cereja.
Nota: a minha mãe utilizava açafrão em vez de Old Bay e misturava apenas as gemas batidas. Seguidamente incorporava as claras em castelo e levava tudo ao forno numa travessa, como se fosse uma espécie de soufflé.
Sexy, muito obrigada pelo Old Bay, foi mais um presente fabuloso e muito apreciado! Confesso que estou indecisa sobre se gosto mais disto ou dos Reese's. Por via das dúvidas o melhor é trazeres sempre "ambos os dois" :p

segunda-feira, 15 de Outubro de 2012

Quiche integral de feta, tomate cereja, rúcula e kefir

Do velho se faz novo. Os ingredientes de sempre. Mistura daqui, troca dali. Saem uns, entram outros. Porque na cozinha as coisas são mesmo assim: quem conta um conto acrescenta um ponto, faz o que quer e bem lhe apetece e no fim, amigos na mesma. Importante é que seja bom, que saiba bem. E neste caso, uma quiche já bem nossa conhecida mudou de visual, tornado-se ainda mais saudável. Não acreditam? É só comparar as receitas! :p
Nota: As fotos estão péssimas. A luz era terrível e a pressa em comer era grande. Mas, ainda assim, esta quiche foi uma surpresa tão agradável que vale a pena partilhar. O recheio ficou fofo e macio, como se tivessem sido incorporadas claras em castelo!

Quiche integral de feta, tomate-cereja, rúcula e kefir

1 base caseira de massa para quiche (com farinha integral)
100g de rúcula selvagem
200g de queijo feta
250g de tomate cherry
300ml de kefir espesso
4 ovos biológicos caseiros
Oregãos secos

Forrar uma tarteira de 30 cm, previamente untada, com a massa da quiche e reservar no frigorífico por 20 mins. Findo esse tempo, colocar a massa no forno previamente aquecido a 180º C durante 25mins. Numa taça, bater os ovos, adicionar o kefir, batendo até estarem bem misturados. Adicionar os oregãos secos, bater para incorporar e reservar. Entretanto, depois de retirada a base da quiche do forno, cobrir com a rúcula e dispor o feta por cima. Verter a mistura dos ovos e colocar os tomates com a parte cortada para cima. Levar novamente ao forno, a 180º C até o recheio estar cozinhado e douradinho.

sábado, 13 de Outubro de 2012

Salada perfeita de Inverno

Todos os anos temos receitas que nos marcam. Que são ou que se tornam clássicos, saindo da nossa cozinha vezes sem conta, num incontável desfiar de tentações. Algumas receitas acompanham-nos durante todo o ano mas outras fazem-se esperar, como noivas reticentes a caminho do altar.
A sugestão de hoje é assim, uma noiva de branco cristal com casamento na neve por alturas do Natal. Perfeita. Simples. Elegante. E como diria o noivo, nervoso até ao tutano, vale a pena esperar :)
Salada perfeita de Inverno

1 punhado de rúcula selvagem
Bagos de romã
Fatias de queijo de cabra curado Palhais
Creme balsâmico

Tão simples que até parece impossível: dispor a rúcula num prato, colocar os queijo fatiado, polvilhar com bagos de romã e temperar com o creme balsâmico.
A combinação de sabores é absolutamente perfeita e fica uma salada bonita. Vai com certeza marcar presença na nossa mesa de Natal e de Ano Novo :)

quinta-feira, 11 de Outubro de 2012

Frango mexicano e um convidado do outro mundo

Com o jantar mentalmente delineado, dei início aos preparativos. Servi um copo de vinho e liguei "o cenas" da música. O som foi-se propagando pelo ar, deliciando os meus ouvidos. Fazia tempo que não os ouvia. Mais de um ano. Talvez. O conforto invadiu o espaço e a alma enquanto que uma voz cavernosamente melodiosa serenou-me o coração, imprimindo-lhe um ritmo lentamente compassado. O jantar foi-se preparando ao som das músicas tão conhecidas e cantaroladas, com imagens-flash de momentos passados. Provei o molho. Apurado. "Mais um pouco e está pronto para servir". De repente, uma mão pousou-me no ombro. "Não sabia como vir" disse ele "isto de viagens entre mundos paralelos não é a minha cena". Petrifiquei. Peter Steele à minha frente, na minha cozinha. Não poderei dizer de carne e osso, dado que faleceu em 2010, mas ainda assim... Continuei algo boquiaberta, com aquele ar de tótó inocente que só eu sei fazer. Ele falou, falou, falou. E a sua voz profunda e grave foi como que um acordar de fim de semana ao sentir o cheiro de panquecas acabadas de fazer. Dei por mim a ouvi-lo enquanto pensava "tem um sorriso bonito e não é nada como nos vídeos, parece outro, mais humano e afável...". "Não se come nesta casa?" perguntou com voz de trovão. E aqui sim, começou verdadeiramente um jantar com um convidado do outro mundo!
Já de saída, baixou-se (bastante, pois é muito mais alto do que eu) e sussurrou-me ao ouvido "Happy Halloween, baby...". Ainda hoje só de pensar sinto arrepios...
Frango mexicano

150g de toucinho em cubos
1 cebola
1/2 pimento verde em cubos
3 peitos de frango em cubos
300ml de polpa de tomate
400g de feijão branco
400g de feijão preto
150g de feijão vermelho
150g de milho doce
1 c. sopa de vinagre de vinho tinto
1 c. sopa de mel escuro
1 c. sopa de mostarda Dijon
1 pitada de tabasco
Sal
20cl de cerveja
Tex Mex

Num tacho grande, refogar a cebola com o toucinho até este estar crocante, adicionar o pimento e o frango, deixando alourar. Juntar a polpa de tomate, os feijões, milho e restantes condimentos. Quando levantar fervura colocar a cerveja e deixar cozinhar em lume médio com o tacho destapado. Findos 30 mins provar, rectificar os temperos, se necessário, e deixar cozinhar por mais 30 mins. Servir acompanhado de Tex Mex.
É desta forma que participamos em mais uma edição do Convidei para Jantar que este mês tem como anfitriã a talentosa Vera do Hoje para jantar... Vera! Isto dos ídolos musicais é que foi um desafio! As escolhas foram muito difíceis: primeiro é complicadíssimo escolher apenas um convidado mas em tempos de crise impõe-se austeridade. Depois a refeição em si foi outra dor de cabeça e das mil e uma ideias que tinha em mente acabei por fazer algo que nem sequer tinha sido equacionado (ser mulher é muito difícil, como diz o Vel). 
E como não poderia deixar de ser, aqui fica uma musiquinha "fofa" :p


terça-feira, 9 de Outubro de 2012

Saganáki me tirí ke avgá

Hoje voltamos a viajar, perdidos nas saudades, encontrados nos destinos. Desvendados ou por desvendar. Deambulamos nas lembranças de aromas e sabores, cravados na memória de uma forma tão intensa que mais parecem tatuados na pele. O folhear de alguns livros de receitas avivam o desejo, a vontade de recuperar momentos, recantos, sensações. E, de repente, como num passe de mágica somos transportados para uma Grécia paradisíaca, onde o tempo é saboreado em ritmo pausado. O sol espelha nas águas azul cobalto do Mediterrâneo, numa cadencia de ondas "mikroúlis" que nos faz franzir o olhar. No terraço altaneiro, caiado de branco, a mesa posta com uma toalha de quadrados convida ao ócio próprio dos dias perfeitos. E na cozinha mal iluminada inicia-se o desfile de "mezedes"... "Opa"!
Saganáki me tirí ke avgá

1 c. sopa de margarina líquida
200g de halloumi
Farinha q.b.
2 ovos
Sal e pimenta

Numa frigideira anti-aderente colocar a margarina e deixar aquecer muito bem. Fatiar o halloumi em duas metades, paná-las muito bem com farinha e colocar na frigideira bem quente. Dourar o halloumi dos dois lados e acrescentar os ovos, deixando-os cozinhar em lume médio. Servir com sal e pimenta moídos da hora. 
O saganáki foi acompanhado por uma salada colorida de grão de bico, courgette palitada, pimento vermelho e verde em cubinhos, beterraba em cubinhos, tudo temperado com azeite, vinagre de framboesa, oregãos/manjericão secos e um pouco de sal.

domingo, 7 de Outubro de 2012

Um Tabbouleh de trazer por casa!

Os aromas das arábias numa refeição vegetariana. Um jantar numa elegante e enorme tenda, rodeados de almofadas e belas tapeçarias, luxos e riquezas nas areias do deserto. Para acompanhar um chá de menta, fumegante. Lá fora uma lua enorme dança nos céus azul noite, iluminando as dançarinas do ventre que rodopiam em volta da fogueira...
Um Tabbouleh de trazer por casa

130g de burghul
150g de salsa fresca picada
75g de mangericão fresco picado
10g de hortelã fresca picada
3 tomates médios picados
1 courgete fatiada em palitos
80ml de sumo de limão
60ml de azeite
Sal e pimenta

Cozer o bulghur com a água seguindo as instruções da embalagem. Colocar todos os ingredientes numa saladeira, regar com o sumo de limão e o azeite, temperar com sal e pimenta moídos na hora e envolver muito bem antes de servir.

quarta-feira, 3 de Outubro de 2012

Pão integral de kefir com sementes

Agora que o Outono se instalou de vez, que os dias estão cada vez mais frescos e curtos, o pão parece crescer para animar o espírito. Ao pequeno-almoço, torrado e barrado com manteiga ou acompanhado por queijos e compotas. Ao almoço, em sanduíches quase gourmet: as mais recentes favoritas são as de queijo creme, figos pingo de mel e creme balsâmico. Ao jantar, como deliciosas bruschettas, sanduíches bem substanciais ou paninis de derreter até a alma mais empedernida. 
Pão integral de kefir com sementes

300g de farinha integral T150
200g de farinha T65
300ml de kefir
1 c. chá de sal
2 c. chá de açúcar amarelo
1+1/4 c. chá de fermento bio seco
2 c. sopa de óleo de linhaça
3 c. sopa de sementes de sésamo
3 c. sopa de sementes de linhaça (mistura de douradas e castanhas)
3 c. sopa de sementes de girassol

Colocar os ingredientes na cuba da MFP seguindo a ordem especificada no manual. Escolher o programa integral para um pão de 750g com tostagem a gosto. Findo o ciclo, retirar o pão e deixar arrefecer numa rede antes de fatiar.