quinta-feira, 29 de Novembro de 2012

Caçarola de grão de bico e legumes

Com os dias e noites frios, sabe bem aconchegarmo-nos numa casa quentinha, rodeados de tudo aquilo que precisamos: lareira a debitar calor, mantinha pronta no sofá, um bom vinho acompanhado por uma tábua de queijos, uma comida bem condimentada, e no fim, um chá fumegante para a menina e um café forte para o menino, rematados por uma fatia de bolo acabado de sair do forno. E se isto não é vida boa, então alguém tem que reavaliar as suas prioridades :p
Caçarola de grão de bico e legumes
(adaptado de "O livro essêncial da cozinha vegetariana")

500g de grão de bico cozido
Azeite
1 cebola grande, picada
1 dente de alho, esmagado
3 c. chá de cominhos em pó
1/4 c. chá de piri-piri
1/4 c. chá de pimenta preta
2 cenouras grandes, em pedaços
400g de tomate pelado, em lata, esmagado
350ml de caldo de legumes
500g de abóbora, em pedaços
Sal
2 c. sopa de concentrado de tomate
2 c. sopa de oregãos, secos

Num tacho médio, alourar a cebola e o alho em azeite. Juntar as especiarias, misturar bem e adicionar a cenoura até que amoleça um pouco. Deitar o tomate, a abóbora, o sal e o caldo, deixar ferver e reduzir o lume, para que cozinhe durante 20 mins. Findo esse tempo, adicionar o concentrado de tomate, os oregãos e o grão de bico, deixando cozinhar destapado para engrossar um pouco o molho. Rectificar os temperos,  se necessário, e servir com pão.

terça-feira, 27 de Novembro de 2012

Melitzánes papoutsákia e os sons do silêncio

Num destes domingos solarengos, voltamos a subir à serra. Sentir o vento cortante na pele que nem os raios de sol conseguem acalentar. Ouvir o silêncio, entre pedras, mato rasteiro e cores outonais que se estendem a perder de vista. Aqui, o silêncio é de ouro. E, para quem vive numa cidade atribulada, não há nada mais revigorante nem apaziguador do que apenas ouvir os sons do silêncio. Como se naquele momento não tivéssemos o sentido de audição. Apenas vemos e tocamos a paisagem deslumbrante, sentimos o vento ondulante e quase que o conseguimos saborear. Como se naquele momento a terra deixasse de girar e nós ficássemos ali, cristalizados na eternidade. Como se o nosso coração pulsasse em uníssono com a natureza que nos envolve e nós fizemos parte da serra como as pedras, as plantas, os animais.
Os ares da serra dão fome. Talvez seja desse silêncio tão repleto de sons... e assim, chegados a casa depois de um dia que se espreguiçou numa lentidão compassada, demos asas a mais um baking day. Com tudo aquilo a que o Outono nos dá direito!
Melitzánes papoutsákia (Sapatinhos de beringela recheados)

2 beringelas bem grandes
750g de carne picada
1 cebola média, picada
2 dentes de alho, esmagados
1/4 de pimento vermelho, picado
Vinho branco
Polpa de tomate
Sumo de 1/2 limão
1 colher-sobremesa de amido de milho
Azeite
Sal grosso
Piri-piri
1 colher-chá de noz moscada
1 pau de canela
1 pitada de cravinho
Queijo feta (1 barra Dodoni)
Oregãos

Abrir as beringelas ao meio com um corte longitudinal e retirar a polpa. Num tacho, refogar a cebola e o alho com o azeite e as especiarias. Juntar o pimento e deixar amolecer. Dourar a carne no refogado, juntar a polpa das beringelas em cubinhos, um cálice de vinho, outro de polpa de tomate e deixar cozinhar. Quando a carne estiver quase pronta, diluir o amido de milho no sumo de limão, incorporar na carne e deixar ferver para espessar o molho. Rechear as beringelas com este preparado, colocar o feta em cubinhos por cima e polvilhar com oregãos e regar com um fio de azeite. Levar ao forno a 200ºC até as taças de beringela estarem cozinhadas. 
Servir com feijão verde cozido e salteado em azeite. Encontram outra sugestão de acompanhamento aqui.
Para sobremesa, nada melhor do que umas castanhas assadas!

domingo, 25 de Novembro de 2012

Sopa de pimento, cenoura e courgette

Depois dos festejos do primeiro aniversário e de um Thanksgiving dinner ao almoço (muitíssimo divertido e com direito a magia!), voltamos à realidade. A ordem natural do universo impõe-se e regressam as refeições de todos os dias. A sopa dá o mote e o início da próxima semana quer-se calmo e relaxado, ainda no rescaldo da boa vida. 

Sopa de pimento, cenoura e courgette

(adaptado de 200 Receitas Sopas)

2 cebolas, picadas
1 dente de alho, esmagado
3 pimentos vermelhos, grosseiramente picados
2 courgettes, grosseiramente picadas
2 cenouras, em rodelas
900ml de caldo de legumes
Azeite
Sal e pimenta
Iogurte natural
Cebolinho

Numa panela, alourar a cebola e os alhos em azeite. Acrescentar os pimentos, a cenoura e metade da courgette, cozendo 5 mins até estarem tenros. Adicionar o caldo, temperar com sal e pimenta e deixar cozinhar em lumes brando durante 20 mins. Entretanto, saltear a restante courgette em azeite. Reduzir a sopa a puré, juntar a courgette salteada e servir com iogurte e cebolinho. Para quem apreciar, polvilhar com pimenta moída na hora.
After the celebrations of the blog's first anniversary and a literally magical Thanksgiving dinner, we're back to reality. The universe's natural order imposes itself upon us and the every day meals come back. Soup is the best way to begin the week, in a slow and relaxed when, with the weekend still lingering...

Red pepper, carrot and courgette soup
(adapted from 200 Receitas Sopas)

2 onions, chopped
1 garlic clove, mashed
3 red peppers, roughly chopped
2 courgettes, roughly chopped
2 cenouras, sliced
900ml vegetal stock
Olive oil
Salt and pepper
Natural yoghurt
Chive

In a large saucepan, brown the onions and garlic with the olive oil. Add the peppers, carrots and half courgettes, cooking for 5 mins and the veggies are tender. Pour in the stock, season with freshly ground salt and pepper and leave simmering for 20 mins. Meanwhile, sautée the rest of the courgette with olive oil. Blend the soup, add the sauteed cougette and serve with the yoghurt and the chive. For the pepper lover, sprinkle with freshly ground mixed pepper.

sexta-feira, 23 de Novembro de 2012

Pescada em papelote com cevadotto à portuguesa e o nosso primeiro aniversário

Hoje estamos de parabéns. Há precisamente 1 ano atrás, este blogue deixou de ser feito apenas por mim para passar a ser partilhado com o VelSatiS. Porque, achamos nós, entre "marido" e "mulher" é que se mete a colher. Neste caso veio uma cozinha inteira, apetrechada de equipamentos, utensílios e ingredientes. Vieram as experiências, individuais ou a dois, para nós e para os outros. Um ano depois, é importante reflectirmos sobre o facto de termos um blogue. Dá o seu trabalho, é um facto, mas o saldo é largamente positivo. Muito positivo. Para além das pessoas fantásticas que temos vindo a conhecer, virtualmente falando, através dos blogues que visitamos e que nos visitam, para além do feedback da família e amigos, há algo que é inegável: se já comíamos bem, agora comemos muito melhor. Não, não há lagosta todos os dias, até porque "what you see is what we eat", mas há uma constante procura de informação para que as refeições do dia-a-dia não sejam repetitivas nem monótonas. Procurar novas formas de confeccionar os ingredientes de sempre tem sido muito salutar mas o melhor de tudo tem sido encontrar novos ingredientes, de forma a variarmos ao máximo a alimentação que fazemos. Prova disso é este surpreendente cevadotto :)
Pescada em papelote com cevadotto à portuguesa

4 filetes de pescada
1 limão em rodelas
4 folhas de salva
1 cebola picada
1 dente de alho esmagado
1/3 de cubo de caldo de legumes
1/2 chouriço corrente (Nobre) em cubinhos
1 chávena de cevada em grão bem lavados
1,5L de água a ferver
50g de queijo da ilha ralado
Sal e pimenta moídos na hora
Azeite

Num tachinho, colocar os grãos de cevada com duas chávenas de água fria e cozer a cevada até a água desaparecer. Entretanto, numa frigideira de grandes dimensões, refogar o alho, a cebola, o chouriço e o caldo num pouco de azeite. Adicionar a cevada para alourar e depois juntar 1 chávena de água quente e deixar cozinhar, mexendo de vez em quando, até a água desaparecer. Adicionar novamente 1 chávena de água e repetir o processo até a cevada estar cozinhada e com consistência de risotto. Rectificar os temperos, desligar o lume e adicionar o queijo ralado. 
Entretanto, preparar o peixe. Em quatro quadrados de folha de alumínio colocar as seguintes camadas: 1 rodela de limão, filete de peixe, sal e pimenta, 1 folha de salva e nova rodela de limão. Salpicar levemente com azeite, fechar os papelotes e levar ao lume numa frigideira até que o peixe esteja pronto (cerca de 10-15mins, sem ser necessário virar.
Nota: para a próxima vamos experimentar demolhar os grãos de cevada em água, overnight, para que o cevadotto possa ser feito sem que os grãos tenham que ser pré-cozidos.

quarta-feira, 21 de Novembro de 2012

Bolo de chocolate sem farinha

Esta é uma receita-maravilha. Mesmo. E achamos que é um pecado que mais pessoas não a conheçam. Cá em casa é carinhosamente apelidada de "O favorito do Miranda", já divulgada aqui no blogue, numa das nossas primeiras mensagens. Por ser já um dos nossos clássicos, resolvemos voltar a partilhá-la, para vos relembrar de como esta receita é de facto simples, fácil e extremamente saborosa. O bolo de chocolate que todos devem experimentar, pelo menos uma vez na vida. Mas acreditamos que depois da primeira, muitas mais se seguirão. É impossível resistir a esta verdadeira tentação :p

Bolo de chocolate sem farinha
(adaptado de 200 receitas Chocolate)

300g chocolate de culinária (85% cacau)
175g de margarina vegetal
2 c.chá de essência de baunilha
200g de acúçar mascavado claro
5 ovos
6 c.sopa de natas de soja

Derreter o chocolate com a manteiga numa tacinha, deixar arrefecer um pouco e misturar a essência de baunilha. Numa taça média, bater os ovos com o açúcar e as natas utilizando um fouet. Aos poucos, adicionar o chocolate, misturando bem (a massa final é bastante líquida, precisamente por este ser um bolo sem farinha). Deitar numa forma redonda de mola, previamente untada e com o fundo forrado a papel-manteiga e levar no forno a 180º C durante 45 mins.
O bolo cresce bastante mas ao ser retirado do forno começa logo a baixar, daí que o aspecto seja bastante "tosco". Fica um bolo denso, encorpado, macio e com um excelente sabor a chocolate, cujo exterior se mantém crocante. Por ser um bolo húmido, conserva-se bem durante 1 semana, desde que coberto por uma campânula (sim, apesar de ser decadentemente tentador, em nossa casa esta quantidade dá para uma semana...)

segunda-feira, 19 de Novembro de 2012

Paella

Há comidas que há muito ultrapassaram a barreira da nacionalidade. Deixaram de pertencer a esta cidade ou àquele país e tornaram-se de todos. É assim com a pizza e a lasagna. É assim com a baguette. Com o chili con carne. Ou com o caril. Ou até com as feijoadas, que são de todos e afinal não são de ninguém. E é assim com a paella. Por supuesto que si!
Paella
(adaptado de "Paella de frutos do mar" em 200 receitas Peixe e Marisco)

1 cebola grande, picada
1 dente de alho, esmagado
1 pimento vermelho, em cubos
300g de arroz calasparra
1,5L de água
1 cubo de caldo de peixe
Polpa de tomate
12 camarões jumbo
500g de berbigão
2 peitos de frango, em cubos
250g de ervilhas
Azeite
Sal e pimenta
Açafrão
Demolhar o berbigão em água com sal pelo menos 1 hora. Escorrer, lavar e voltar a escorrer. Colocar o berbigão num tacho com 500ml de água e cozinhar durante 5 mins. Remover o berbigão das conchas e reservar, assim como a água da sua cozedura. 
Numa frigideira de grandes dimensões alourar a cebola, o alho e o pimento, até amolecerem, com o azeite e o cubo de caldo. Adicionar o arroz e o frango, fritando durante 1min. Juntar a água de cozinhar as ameijoas e, se necessário, adicionar mais água, até que o arroz esteja coberto em 1cm. Polvilhar com açafrão a gosto, mexer bem e deixar levantar fervura. Adicionar polpa em quantidade equivalente a 2 tomates grandes, reduzir o lume, mexer bem e deixar cozinhar lentamente durante cerca de 12mins. Mexer ocasionalmente para evitar que o arroz pegue ao fundo da frigideira. Juntar os camarões, e mais um pouco de água caso o arroz esteja seco, e cozinhar até que estejam alaranjados. Adicionar as ervilhas e as ameijoas e cozer durante mais alguns mins. Temperar a gosto com sal e pimenta e servir com um bom vinho maduro tinto.
Receita por VelSatiS

sábado, 17 de Novembro de 2012

Bruschettas de camembert, gouda e tomate

Entrada. Ou prato principal. Ou até sobremesa. As bruschettas são versáteis, adaptam-se ao que tivermos em casa e aos gostos de cada um. Podem ser para muitos ou para poucos. No forno ou na frigideira. O importante é que calham sempre bem, satisfazem e são aprovadas por quem as saboreia. Por cá são uma constante, perfeitas para acompanhar uma sopa quente, no Inverno, ou uma bela salada, no Verão.
Bruschettas de camembert, gouda e tomate

3 fatias deste pão
6 fatias de queijo gouda
1 queijo camembert
1 tomate de rama maduro
Oregãos secos

Cortar as fatias de pão ao meio, pincelar de ambos os lados com azeite e colocar numa frigideira de grandes dimensões em lume médio forte. Deixar dourar, virar e reduzir para lume médio. Colocar as fatias de queijo gouda, distribuir o camembert fatiado, cobrir com o tomate cortado em pedacinhos e polvilhar com os oregãos. Servir quando os queijos estiverem derretidos.

quinta-feira, 15 de Novembro de 2012

Arroz de frango e legumes

Quando o estômago pede leveza, conforto e simplicidade, recorremos aos sabores de sempre, guiados pelas mãos das mães e das avós. Comida de outros tempos, em que todos os ingredientes eram locais, saborosos e bastavam por si só. Do tempo em que o frango era sempre caseiro e os legumes vinham das quintas limítrofes da cidade. Do tempo em que eu corria de chinelos pela calçada abaixo, desfilando um vestido vermelho com pintinhas brancas como se fosse a mais prática farpela para brincar. Do tempo em que as coisas tinham um sabor genuíno e as pessoas não eram fingidas. Do tempo em que tudo era verdade e a mentira dava direito a malagueta na boca...
Arroz de frango e legumes

400g de arroz vaporizado
1,3L de água
1 cebola grande
2 dentes de alho
2 cenouras grandes
1 couve-coração
1 cubo de caldo de galinha
1 peito de frango
Azeite
Sal e pimenta

Num tacho grande, refogar o alho e a cebola picados juntamente com o azeite e o cubo de caldo. Adicionar a cenoura fatiada em quartos e deixar amolecer. Juntar o peito de frango em cubinhos, mexendo até que a carne esteja cozinhada por fora. Adicionar a couve em juliana, tapar e deixar cozinhar mais 5 mins. Por fim, deitar a água a ferver e o arroz, mexendo bem e deixando o arroz cozinhar até estar "al dente". Provar, rectificar os temperos e servir.

terça-feira, 13 de Novembro de 2012

Mac&Cheese reforçado

Descomplicar. Aproveitar. Alimentar. Por esta mesma ordem. Num daqueles dias em que a preguiça é a mãe de todas as virtudes (ou da falta delas), o jantar quis-se rápido e simples. Com queijos para gastar e antes que estivessem impróprios para consumo, havia que lhes dar um digno destino. Os enchidos, poucos, pediam suplicantemente para se juntarem à festa. E quem é que consegue dizer que não a um chouriço de colorau com olhinhos de carneiro-mal-morto? Muito certamente, só quem não tem coração. E assim nos chegou à mesa um belíssimo jantar!
Mac&Cheese reforçado

500g de massa penne
100g de linguiça fresca
1 chouriço de colorau pequeno
250g de queijo mascarpone
50g de queijo de ervas
300g de queijo de ovelha semi-curado

Numa panela, cozer a massa em água abundante e sal até estar al dente. Num tacho, saltear os enchidos, cortados em pedacinhos, na própria gordura até estarem crocantes. Adicionar os queijos para que comecem a derreter. Entretanto, escorrer a massa, reservando alguma da água, e passar por água fria para parar a sua cozedura. Quando os queijos estiverem derretidos, juntar um pouco da água de cozedura da massa até obter um molho com a consistência desejada. Adicionar a massa, incorporando muito bem antes de servir.

domingo, 11 de Novembro de 2012

Dip de kefir

Dia de S. Martinho, castanhas a crepitar no fogareiro, regadas com muita água pé e vinho moscatel. Sim, seria assim o nosso S. Martinho. Mas o Santo quis que o tempo estivesse maravilhoso, com um sol esplendoroso e portanto descemos até à Ribeira, atravessamos a ponte e paramos nas tasquinhas para apreciar o sempre nosso, e saboroso, vinho do Porto. E para hoje deixamos uma sugestão versátil para os dias de festa: é só adicionar as ervas, especiarias e legumes que cada um prefira e partilhar com os amigos e família. Porque no fim do dia se o S. Martinho não é para partilhar, então não sabemos para que é...
Dip de Kefir

1L de kefir
Pimentão doce
Manjericão seco
Tomilho seco
Oregãos secos
Salsa seca
Cebolinho seco
Sal e Pimenta
Tex-Mex picantes

Preparar o kefir colocando as colónias no leite durante pelo menos 24h horas. Passar o kefir por um coador de plástico, reservar a colónias para novo kefir e colocar o kefir já preparado num coador com um pano de linho e com uma taça por baixo. Levar ao frigorífico para escorrer até ter a consistência desejada (neste caso ficou overnight). Remover o kefir espessado do pano, colocar numa taça, juntar as ervas e especiarias e servir com aperitivos Tex-Mex picantes.

quinta-feira, 8 de Novembro de 2012

Marmelos com castanhas, rúcula e morcela crocante

São os sabores da época: fortes, encorpados, quentes. E o Outono é a estação perfeita para por à prova as nossas papilas gustativas. Entramos na altura do ano em que os sabores e as texturas são ainda mais interessantes e todas as combinações parecem possíveis! No fim do dia, é bom colocar na mesa uma travessa fumegante com tudo o que há de bom, sabendo que vamos terminar a refeição satisfeitos e com aquela sensação de bem-estar e de dever cumprido.  
Marmelos com castanhas, rúcula e morcela crocante
(ligeiramente adaptado da revista Saberes e Sabores n.º 214)

500g de castanhas congeladas
Sal
4 marmelos
Margarina líquida
Mel escuro
1 morcela de arroz
Pimenta
Noz-moscada
Rúcula

Lavar os marmelos, cortar ao meio na vertical e colocar num tabuleiro com a parte cortada virada para cima. Regar com a margarina líquida e um fio de mel e levar ao forno pré-aquecido a 160º C durante 40 mins (ou até a polpa dos marmelos estar macia).
Entretanto, cozer bem as castanhas em água e sal, escorrer e reservar. Cortar a morcela em rodelas e levar ao lume numa frigideira anti-aderente, deixando tostar bem de ambos os lados para ficarem crocantes. Retirar a morcela e reservar num recipiente no forno. Na mesma frigideira, colocar um pouco de margarina e saltear as castanhas, rectificando o sal se necessário e temperando com a pimenta e a noz-moscada moídas na hora. 
Dispor os marmelos, as castanhas e a morcela e polvilhar com a rúcula antes de servir.

terça-feira, 6 de Novembro de 2012

Compota de figo, limão e lima para enfrentar as tardes chuvosas

Assim, sem dó nem piedade. A chuva jorrava pelos vidros, lavando-lhes a alma. E levando-lhes essa mesma alma branqueada na enxurrada. Uma chuva forte, cheia de personalidade e voz de trovão, com pingos grandes e pesados que batiam nas vidraças como que a dizer "estamos aqui!". O ar estava frio. A caminhada para casa ainda me enregelava os alvéolos apesar de aqui o ambiente estar confortavelmente ameno. Coloquei a água a aquecer para fazer um chá, daqueles que traz o calor do Verão no pino do Inverno. Na mesa já estavam o Bolo Inglês de Frutas Secas, a compota e o queijo da ilha de S. Jorge. Um fim de tarde perfeito e revigorante...
Compota de figos, limão e lima

1kg de figos escuros
1 limão (sumo + raspa)
1 lima (sumo + raspa)
400g de açúcar

Tirar o pé aos figos e cortá-los em quartos. Juntar com os citrinos numa panela de fundo duplo e levar ao lume brando durante 20 mins. Findo esse tempo, adicionar o açúcar e continuar em lume brando até que esteja em ponto de estrada. Retirar e guardar dentro de frascos esterilizados. 

domingo, 4 de Novembro de 2012

Sopa de feijão branco com agrião e cogumelos

Com o friozinho que se faz sentir lá fora, apetece comer algo substancial, quente, reconfortante. Algo que nos faça sentir que tudo corre bem e que tudo vai estar sempre bem. E a comida tem este poder. Faz com que tudo pareça melhor. E nos dias em que o vento sopra agreste empurrando os pingos grossos de uma chuva fria, não há nada como uma boa sopa. Uma daquelas, com muito "antulho", que seguram uma colher na vertical e são o prato principal da refeição. Acompanhada por um chá fumegante e um pão caseiro acabado de tirar do forno, quem lhe poderá resistir? Nós não seremos, muito certamente! :)
Sopa de feijão branco com agrião e cogumelos
(adaptada da Revista Saberes e Sabores n.º 214)

1kg de feijão branco seco
Água
350g de cogumelos Portobello pequenos
1 cebola
3 dentes de alho
Azeite
150g de bacon em cubinhos
Sal e pimenta
Noz-moscada
150g de agrião

Lavar e demolhar o feijão em água de um dia para o outro. Escorrer o feijão, colocar num tacho grande, cobrir com água e deixar ferver durante 1h. Findo este tempo, separar o feijão (com o caldo de cozedura) em duas metades: uma pode ser dividida por saquinhos e congelada, para ser utilizada noutras receitas enquanto que a outra fica para a sopa.
Entretanto, limpar os cogumelos e laminá-los. Descascar as cebolas e os alhos e picá-los. Numa panela, fritar o bacon na própria gordura, adicionando os cogumelos para saltear. Temperar com sal, pimenta e noz-moscadas moídos na altura. Retirar esta mistura para uma taça e reservar. Na panela, colocar um fio de azeite e alourar a cebola e o alho. Adicionar o feijão cozido com o seu caldo e triturar com a varinha mágica até estar completamente desfeito (se estiver muito espesso, juntar um pouco de água a ferver até obter a consistência desejada). Rectificar o sal e deixar levantar fervura. Introduzir o agrião, mexendo bem, e assim que recomeçar a ferver, adicionar a mistura de cogumelos e bacon.

sexta-feira, 2 de Novembro de 2012

O melhor arroz do mundo e as saudades da minha avó

Quando somos pequeninos temos um palato pouco diversificado. Gostamos de comer "porcarias". Assim, havia quem gostasse de batatas fritas com bife. Quem gostasse de hambúrguer. Quem gostasse de pão com Tulicreme. Eu gostava de tripas enfarinhadas (é de pequenina que se torce uma mulher do norte). E de um arroz que a minha avó me fazia quando eu "aterrava" em casa dela para ficar durante "muitos dias". E embora o faça numa versão "à minha moda", o conceito está todo lá, bem como a sua versatilidade. É uma comida perfeita para qualquer dia. Especialmente se estivermos com saudades... 
O melhor arroz do mundo

1 chávena almoçadeira de arroz vaporizado
2 medidas (de arroz) de água
1 cebola
1 dente de alho
200g de linguiça fresca
400g de ervilhas
1 c. chá de açafrão
4 ovos
Sal e Pimenta

Num tacho médio (capacidade 3L) alourar a cebola picada e o alho esmagado com a linguiça em pedaços e o açafrão. Adicionar o arroz e mexer para incorporar. Juntar a água a ferver, deixar levantar fervura e reduzir para lume médio-brando. Quando a água tiver reduzido para metade, adicionar as ervilhas e um pouco de sal e pimenta. Quando o arroz estiver quase pronto, estrelar os ovos. Servir o arroz com os ovos: já no prato, desfazer cada ovo em bocadinhos e misturá-lo bem com o arroz. Pode ser polvilhado com queijo ralado!
Nota: na versão original, feita pela minha avó, o arroz era branco e depois ela misturava fiambre em cubinhos, ovo e queijo.